Recentemente vi em um calendário do Design Brasil um produto que chamou minha atenção. TRata-se da tesoura Freestyle da Mundial. O produto foi selecionado para concorrer ao IF Design Awards 2009, sem dúvida, um dos mais importantes concursos de design da atualidade.

No entanto o que chamou a minha atenção foi o fato de ela ser projetada para destros e canhotos. Achei muito interessante porque esse foi o meu primeiro tema de pesquisa de iniciação científica e, por coincidência, realizei juntamente com o meu colega Bruno um teste laboratorial com alguns indivíduos, e que consistia justamente em avaliar a percepção de duas tesouras, uma para destros e outra para canhotos.
Ao examinar as fotos dessa tesoura, pude perceber que, na verdade, ela é feita para destros. A questão é que a pega realmente pode ser adaptada para uso na mão esquerda (embora eu não consiga imaginar perfeitamente), mas faltou algo absolutamente essencial para que se possa usá-la com mão esquerda: visualizar a linha de corte.
Faça um teste: pegue uma tesoura comum e um folha de papel; trace uma linha na folha; em seguida corte-a sobre a linha com a mão direita. Você deve estar vendo claramente a linha de corte da tesoura sem ter de virar a folha. Agora pegue a tesoura com a mão esquerda, repita o mesmo procedimento. Você pode dizer que está vendo a linha de corte (sem torcer o braço ou inclinar o tronco)?
Duvido muito.
A questão é que essa relação destro/canhoto não se trata apenas de pegas simétricas ou adaptáveis, deve-se priorizar condições semelhantes e eficientes de uso para o produto. Se você reparar na foto acima, verá que as lâminas não podem ser intercambiáveis e, mesmo se o fossem, não funcionariam pois possuem uma afiação somente em uma aresta (chanfrada).
Posso estar enganado a respeito do funcionamento dessa tesoura. Mas parece que o que foi "resolvido" foi muito superficial e, por isso, não atende aos requisitos de funcionalidade que todos nós precisamos, quer sejamos destros, canhotos ou ambidestros.
